É preocupante o caminho que o nosso país tem seguido desde sempre. Depois da fundação da nacionalidade e da tão almejada independência assistiu-se como é óbvio ao crescimento de alguns grupos poderosos: os nobres. A esta classe eram-lhes atribuídas terras, domínios, riquezas através de alvará régio. Rapidamente se dedicaram a alugar as terras e a cobrar impostos insuportáveis àqueles que viviam nos seus domínios! Quem não era por eles…era contra eles e rapidamente era castigado severamente. Assim foi durante séculos até que resolvemos conhecer o mundo, e bem! Fomos pioneiros na descoberta, na procura e na exploração dos novos territórios e das novas riquezas. Como a Nobreza já tinha engordado muito e à custa dos seus rendimentos (diga-se trabalho dos outros), não se preocuparam muito em dar importância a esse novo mundo tendo criado espaço suficiente para uma nova classe social aparecer: os Burgueses. Os Burgueses, dinâmicos e ávidos de poder e riqueza tornaram-se astutos e empreendedores, dinamizaram a construção naval, promoveram o uso de novas técnicas e armas, procuraram novas formas para transportar as riquezas que encontravam, associaram-se e criaram companhias e associações que se revelaram os primórdios das companhias de seguros. Como em todas as épocas de expansão desenvolveram também hábitos de consumo e gastos que a breve prazo se tornaram praticamente insuportáveis mesmo com os rendimentos que obtiam. Não é pois de estranhar que os benefícios aos marinheiros e exploradores se fossem tornando cada vez menores e ao longo dos anos a sua riqueza fosse diminuindo e outros países se fossem apoderando dos nossos negócios e da nossa riqueza sem fazerem nada, pois a coroa estava endividada, os nobres gordos com os seus roubos e os burgueses coitados tanto que engordaram que deixaram de ter capacidade para manter a sua engorda tornando-se pesados e pouco activos.
No tempo da monarquia, o país ficou em crise, descontente com os preços e as fracas condições de vida. As principais fábricas e unidades produtivas do país concentravam-se em Lisboa e Porto, no resto do país as pessoas trabalhavam no campo e de uma forma geral tinham condições de vida miseráveis. Nesta fase do declínio da monarquia, Portugal estava a atravessar uma fase difícil e com muitas dívidas, por isso teve que pedir dinheiro emprestado ao estrangeiro. Para pagar o Rei aumentou ainda mais os impostos, diminuindo a actividade comercial e a capacidade dos nossos comerciantes ombrearem com ingleses, que tinham impostos muito mais baixos.
A família real vinha de uma viagem de Vila Viçosa no dia 1 de Fevereiro de 1908,o rei D. Carlos e o seu filho D. Luís Filipe foram assassinados no Terreiro de Paço. Os autores do crime foram Costa e Buiça. O sucessor do trono seria D. Manuel que tinha ficado sozinho nas mãos do seu governo embora fosse muito inexperiente.
Era o regicídio.
Entramos assim na I República. O Regime Republicano em vez de salvar Portugal, mergulhou-o numa crise económica, social e política que abriu as portas à ascensão de um salvador: Salazar.
“A partir de meados do século XIX, a violência parecia definitivamente afastada da vida política portuguesa. Depois das desgraças da guerra civil e dos tumultos militares da primeira metade do século, Portugal parecia ter entrado na rota da acalmia e do progresso. Mas a República, de mãos dadas com a Maçonaria e a Carbonária, trouxe a violência de volta. A coisa começou em 1908, com o assassínio do Rei e do príncipe herdeiro. O 5 de Outubro nem foi violento - e a Monarquia caiu quase sem sangue. Mas a partir de 1915 é que foram elas. Nesse ano deu-se a revolta que depôs Pimenta de Castro e fez mais de 100 mortos, depois foi o atentado contra o chefe do Governo João Chagas, os assaltos aos estabelecimentos em Maio de 1917 que provocaram mais de 50 vítimas, a Leva da Morte, o assassínio de Sidónio Pais, a Noite Sangrenta com as suas rondas da morte e o massacre de alguns fundadores da República desiludidos com o regime como António Granjo, Machado Santos e Carlos da Maia - isto sem contar com um sem-número de revoltas que provocaram mortos e feridos e em certos períodos atingiram um ritmo semanal.
E, como ponto alto deste período marcado pela violência civil e militar, temos a famosa carnificina da Flandres, que custou ao país 15 mil mortos de jovens na flor da idade, mandados para a frente de combate pelo fervor ideológico de Afonso Costa e seus companheiros.
Perante este quadro negro, o movimento militar de 28 de Maio e a ocupação do poder pela tropa, e sobretudo a subida de Oliveira Salazar à chefia do Governo, seis anos depois, foram recebidos com um suspiro geral de alívio. Finalmente o país tinha paz!”
A República fundou-se com base em dois pressupostos que causariam o atraso de Portugal: A monarquia e a Igreja. Eliminados ou reduzidos o poder destes dois factores, chegou-se à conclusão que afinal o país tinha ainda piorado.
A republica fez com que Portugal se tornasse mais pobre porque o clima de instabilidade política e violência assustou industriais e banqueiros travando os investimentos.
A entrada de Salazar teve um enorme apoio popular, em grande medida porque também conseguiu no espaço de um ano estabelecer a ordem e recuperar as contas públicas e recusou um empréstimo internacional da Sociedade das nações pois considerou as condições humilhantes para Portugal. É certo que em certos aspectos, muito dos objectivos alcançados, foram-no com base na repressão e na polícia política, mas é preciso ter visão e perceber que quando a iniciativa privada não consegue fazer, quando os outros nos atacam e nos exigem como preço a nossa independência enquanto nação, então é obrigatório que quem detém poder e cargos de decisão defenda intransigentemente o nosso país, as nossas tradições, os nossos princípios os nossos modos de vida.
Este período de governação primeiro de Salazar e depois de Marcelo Caetano durou 48 anos. Ao longo de uma grande parte deste período a economia e sociedade portuguesa cresceu de uma forma sustentada e rápida, conseguiram-se feitos como a obrigatoriedade da escola, desde 1928 quintuplicar o número de alunos em liceus e universidades, pensões para trabalhadores rurais, o crescimento das cidades. Contudo este clima de graça foi-se esvanecendo devido a vários factores de entre os quais a abertura do país e das políticas no sentido da democracia, as poucas reformas políticas, a crise petrolífera de 1973, a guerra colonial e as dificuldades financeiras para a sustentar assim como a obrigatoriedade de a juventude ir para a tropa e para a guerra colonial.
Foi então que se deu a revolução do 25 de Abril, também denominada de Revolução dos cravos por não ter sido derrubado sangue e a população ter oferecido aos soldados cravos que os colocaram no cano das armas.
Após a revolução temos 6 governos provisórios entre 1974 e 1976 e 18 governos constitucionais. A instabilidade política e económica nos primeiros 10 anos aproximadamente levou a um elevado endividamento externo e ao baixo desenvolvimentos da nossa indústria e da nossa agricultura, a economia, dependente das colónia leva a que muitos sectores da sociedade entrem em colapso, o fim das colónias implica o retorno de uma grande parte da população (cerca de 1 milhão de pessoas) que agrava ainda mais os problemas sociais, a inflação chegou a rondar os 29% e por duas vezes o estado foi obrigado a negociar com o FMI (1977 e 1983) para evitar a bancarrota.
No dia 1 de Janeiro de 1986, Portugal entra na CEE, o que representou uma efectiva abertura económica e um aumento da confiança da população. Claro está que as clientelas do costume continuaram a engordar, no entanto várias transformações positivas ocorreram ao nível de criação de infra-estruturas e das condições de vida da sociedade, à excepção do sector exportador que não estava preparado para uma concorrência tão feroz de empresas principalmente espanholas para os países preferidos de exportação: Reino Unido, Alemanha e França.
A CEE em 1992 dá origem à União Europeia, estando no horizonte a criação de uma moeda única e uma política externa comum. A criação desta moeda única levou a determinados condicionalismos impostos que prejudicaram efectivamente a competitividade dos nossos produtos e da nossa economia, como a impossibilidade de desvalorizar a moeda, o crédito mais barato que levou a excesso de endividamento das famílias e por força disso as importações a aumentarem mais do que as exportações. Também como consequência destes factores e incapacidade dos governantes dessa altura, entre 1986 e 1998 (Cavaco Silva Iniciou em 1985 o XIII Governo e em 1995 entra em funções o XV Governo cujo Primeiro Ministro é António Guterres) o PIB português crescia a 5% ao ano, em 1998 caiu para zero. A situação foi-se agravando, e se compararmos com 2005 temos uma taxa de desemprego em 98 de 5% e de 8% em 2005, a dívida pública era 55% do PIB e passou para 64%, o RPC (rendimento per capita) era de 71% da média europeia e passou para 66%, apenas a inflação se manteve em aproximadamente 2,3%. Se compararmos com 2009 o cenário é bem pior: tx de desemprego de 12,7%(eurostat), dívida pública de 113.3% do PIB, e a taxa de inflação em 0,9%?
Através desta breve análise, parece-me poder concluir que desde sempre tivemos os “Clientes” que se aproveitavam do trabalho alheio para enriquecer e engordar os bolsos. Contra isto nada tenho, pois faz parte do natureza do ser humano a ganância, a ostentação, mas também o criar boas condições de vida para aqueles que lhe estão perto. No entanto, e o que não percebo é porque não se engorda deixando algo para os outros, um bocadinho só? Se nessa engorda valorizarmos o activo que a criou, significa que podemos dar mais umas migalhas e engordar ainda mais…(ex. Se eu engordar como gestor da RTP, mas em vez de apenas me aproveitar criar valor e obter lucro, significa que até posso dar um aumentozinho aos funcionários e vou buscar ainda maiores prémios de gestão….).
Pode-se concluir também que os períodos de efectivo crescimento económico, social e estrutural do nosso país aconteceram no período de governação de Salazar e entre 1989 e 1996. A partir de 1996 embora com algumas conjunturas desfavoráveis (também devido ao facilitismo e à falta de visão da classe política), a situação tem vindo a degradar-se, chegando á crise económica actual.
E aqui, realmente não se percebe, porque parece estar tudo bem, as engordas continuam e ninguém faz nada, aumenta-se os impostos e ninguém faz nada, Salvam-se bancos com dinheiros públicos e ninguém faz nada, empobrecemos com as medidas de austeridade e ninguém faz nada, existem fundações inúteis e ninguém faz nada, existem milhares de funcionários inúteis e ninguém faz nada, as contas públicas estão descontroladas e ninguém faz nada, ninguém nos responde sobre a realidade do país e não fazemos nada, alguns sectores da sociedade julgam-se donos do país e ninguém faz nada, dá-se rendimentos e subsídios a quem vê os outros ir para o trabalho e ainda goza, ficando no café a tomar o seu pequeno almoço e a fumar o seu cigarro e ninguém faz nada, aumentam impostos para viaturas melhores, facilitando acesso a veículos mais fracos em segurança e depois fazem-se campanhas de prevenção rodoviária e ninguém faz nada, pagamos a construção de Scuts em locais onde antes circulávamos em estrada nacional e agora fazem-nos pagar principescamente e ninguém faz nada……..
A indignação realmente é bastante e é necessário fazer algo para mudar esta situação. É preciso falar, criticar, mas acima de tudo exigir. Daí a criação deste Blog, que para além de um local de crítica e comentários construtivos, irá ter actividades, através de várias acções que irão surgir ao longo dos tempos e que levarão a que realmente se faça alguma coisa e possamos exigir e readquirir a nossa participação no futuro do país, não o deixando apenas entregue aqueles que já provaram não merecer essa confiança!